quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Segredo

desconheço autor da foto



Beba nos meus lábios de flor
Faça a dança cigana com tua língua


No teu giro de pernas e dedos
Ofereço o mel de baunilha


Alimento tua boca, repouso dos teus gemidos
Desenho sóis na tua pele


Luas, são as voltas do meu seio vadiando no teu peito
Espalho meu gozo na tua coxa
E você devora o prazer de cada tato estendido sob tuas mãos

É a ciranda dos pêlos, pétalas e plumas
A graça dos poros no balé dos delírios


É o nosso laço
Nossa manha escondida nos cílios da madrugada.

*
*
*
Apenas espalhando "o mel".

domingo, 27 de julho de 2008

Ela é uma Princesa (Para "seu moço")


Desconheço autor da foto

E você, seu moço, tome tento. Ela é uma Princesa. Daquelas de cetim e veludo. As fadas velam por suas tranças, os anjos pelo seu sono. Há dragões guardando a porta do coração Dela, eles são ferozes e vorazes, queimam em uma só cuspida de fogo qualquer desavergonhado que tente se valer dos sonhos Dela para sustentar volúpias de “uma noite só”.

Seu moço, Ela é uma princesa, veste branco nuvem e tons rosados para fazer passeios matinais no jardim encantado. Ela se alimenta de frutas doces. Ela se banha com lavanda e jasmim. É uma princesa de fino trato, andar delicado, os lábios são cheirosos e a pele alva.

Ah, seu moço, judia Dela não! Mil lendas de maldição hão de cair sobre aquele que ferir a musicalidade da paz Dela.

Ela te quer, seu moço, Ela conversa com os querubins e arcanjos, Ela pede proteção e valentia para ti, seu moço. Ela deseja um conto lilás para os beijos de vocês dois. Ela chora em silêncio quando você parte para longe, longe do colo Dela.

Ela pensa em ti, seu moço. Ela me pediu segredo também. Mas...Mas eu também quero o bem Dela, quero o riso dela doce e leve. E por isso, seu moço, eu venho a contar-lhe sobre os bordados dela - Ela vai se aventurar em você! E, eu repito, repito com o cuidado de um pai, o zelo de um protetor que não quer ver sua pupila suspirando doída por aí: Seu moço, judia Dela não! Ela é uma princesa, uma Menina-princesa (...)

[com o corpo adoçado de borboletas e a pureza dos lírios]


Faz doer não!
***
Hoje a escrita está em itálico, é mais delicado. Meu tom está rosado. Delicado. Delicada. Eu ando tão volúvel, tão menina. Eu estou tão flor!Já me disseram que fico mais bonita assim, sensível.Será mesmo?!? Eu me sinto um tanto exposta, escancarada ao vento, que, pode tanto vir como brisa, mas também como furacão. E, todos nós sabemos, flor aguenta furacão não! Espinho sim! Flor, não!

Ai ai, tome tento, seu moço! Tome tento! aqui, aqui é fina flor!

quinta-feira, 17 de julho de 2008

::*Coisas de menina*::

Desconheço autor da foto.


Eu não sei nada do teu signo, teu giro, teu canto.
Não me acho nas suas canções e muito menos nas aspas das tuas palavras.

Eu só conheço teu ardor na minha pele e tua saliva de manga derretendo o meu desejo.
Apenas sei dos teus dedos-meninos que me fazem afogar meus lábios mais febris com o mel que escorre entre as minhas coxas.

A dança louca da tua boca eu também conheço. A roda quente da tua língua que desliza entre minhas cerejas e luas, ah, dela eu sei, sei bem!

Na tua brincadeira, eu sou a menina de tranças, salpicada de canela-maçã.
A menina que tem no seio o doce mais puro que se pode ter.
O doce que lambuza tua boca. Queima teus lábios rachados.

Nos meus arrepios, você é um cavaleiro desarmado.
O cavaleiro valente. Mata por um descuido.
Morre por opção. Chameja por um afago.


Cavaleiro, tranças, signo, mel e luas – eu sou caprichosa nos meus versos.


Coisas de menina...
*
*
Sol, girassol, verde, vento solar
Você ainda quer dançar comigo?
Vento solar e estrelas do mar
Um girassol da cor de seu cabelo.

(Lô borges)
*
*
Como eu ando apaixonada pelas palavras!Como eu preciso de linhas e letras para me equilibrar emocionalmente! é uma maneira de "amenizar" os 3 "ésses" - sentidos, sentimentos e sensações - que me regem. É uma caminhada no meio do bosque. É uma viagem ao meu reino encantado, onde as bruxas e fadas me relembram contos antigos. É o meu caminho e leveza. Eu quero ser poeta. Poetisa. Encantadora de palavras. Domadora de versos. Eu quero...

Pronto! Consegui o equilíbrio de hoje. Ufa!



domingo, 6 de julho de 2008

Soul de domingo

Desconheço o autor da foto.

Eu quero miçangas cor de rosa. Vou enfeitar teus contornos, pintar o teu castelo. Eu me sinto como uma ave rara que se perde no caminho de volta para casa. Minhas asas cansam. Vacilam. Teus olhos amargos não me mostram a direção. Mas, eu te enfeito. Enfeito-te mesmo assim. Lanço colares no teu contorno. Flores secas nos teus livros. Eu pingo óleo de rosas brancas nos teus pulsos.

É comum essa mistura de cores numa manhã de domingo?

Ouço soul para aliviar a alma, quero meus dias com a suavidade e persistência das canções de Macy Gray.

Estou tentando te sentir, menino, mas, há momentos que a tua respiração não canta no meu ouvido, eu te perco por entre os dedos. Sou orgulhosa demais para descer a ladeira gritando teu nome. Meus braços se estendem até onde teu desejo mora. Eu não passo da tua linha de segredos. Minhas canções não chamam teu colo. Eu apenas vislumbro a cena. Eu apenas sou essa. Sou apenas minhas asas e melodias. Sou esse excesso de ausências mal dormidas, um caso descabido entre as pérolas, harpas, punhais e vinhos.

Eu ando engolindo o meu veneno para ele não te ferir, menino. Por isso, cuida bem de mim (...)



*

Pâmela Melo

*


Obs.: A manhã de domingo está linda. E eu tenho tantos desejos e flores aqui dentro. Estou a celebrar a reflexão e sensações, elas me darão frutos lindos. Eu sei.

Luz ao mundo, sempre!

domingo, 29 de junho de 2008

Anoitecer

Desconheço autor da foto

Eu escrevo agora. Escrevo porque tenho em mim pinturas abissais. São momentos, ou justamente a ausência deles. Talvez seja a lucidez embriagando-se da poesia intrigante do meu mundo de dentro. É uma necessidade de abluir toda nuvem cinzenta que percorre cada detalhe do meu traço, tão disforme. Traço que não sabe qual destino deseja: talvez seja rabiscos, talvez o fino traço de um dia de sol com chuva de pólen (de flor-de-laranjeira).

Pois há tanta ternura dilatando meus poros, tanta. E ela tece um bordado cor-de-rosa nos meus seios, nos meus cílios. Rendas de estrela e mel que enfeitam minhas meninices. Aprendi então, que diante de tamanha docilidade, eu não devo aceitar nenhuma sensação de abreviatura. Não quero sintetizar toda delicadeza presente nas linhas do meu pensamento. Eu lamento quem me faça pisar em solo tão abúlico. A fertilidade é o sonho da terra. É a esperança da flor. O êxtase doce do fruto. Não permito que impeçam a minha primavera.

Preciso de acalento sincero. Estou farta das luxúrias inúteis, que não me acrescentam fios de ouro. Já não anseio a acalmia das minhas emoções. É necessário adoçar a voz e adornar os sentidos de uma maneira certeira e constante. Uma segurança acerejada em cada manhã, nos lilases soltos em cada pôr-do-sol. Sempre. Até o fim dos contos de fada: “E foram felizes para sempre”.

(Se ao menos existisse um contra-regra para o espetáculo da minha vida! Assim, eu sempre saberia a hora certa de entrar em cena. Eu juro que não perderia tempo. Eu entenderia o ritmo dos passos, o momento certo de cada toque entoado no vão tão incerto dos meus dedos).

Quanto silêncio contido nessas palavras!

Quantas emoções fragmentadas na última taça de vinho tinto!

E não existe contusão dos meus sentimentos. Inacreditável, não?!?
Há apenas uma arranhadura no meu mundo, apenas as garras do meu medo, sempre tão acetinado, sempre tão incerto e errante...

OM MANI PADME HUM
OM MANI PADME HUM
OM MANI PADME HUM

terça-feira, 17 de junho de 2008

Doçura


Há ventos do sul soprando as minhas folhas secas no quintal. Há sinos de açúcar cantarolando livres no meu pensamento. Eis que a trégua teve fim. Meus deuses já me enviam a semente, a terra, a chuva. Agora eu preciso plantar a flor. Preciso regá-la com desejo púrpura. Sei de lembranças na minha íris que denunciam o meu desejo. Eu estou nua. Não acho mais minha saia de tule...

Minhas asas estão prontas pra tocar teus sonhos de menino bobo, menino bandido, que rouba beijos de cetim das maricotas da vizinhança. Mas há tanta ternura dissolvida nos teus lábios, tanto papel de seda azul embrulhando teus anseios, há um tanto de tudo em você, que chega a bagunçar meus livros já tão dispostos na estante. Já não sei mais onde estão os romances, os contos, meus livros de receitas e de histórias infantis. Os versos se misturaram. As palavras estão disformes na minha poesia.

Ouça o meu sussurro de alfazema: deguste meus segredos, meus medos, minhas dúvidas. Me segure pelos braços. Me leve para o esconderijo quente da tua alma e me ofereça um gole do teu chá. Eu preciso tecer o meu sossego. Colorir a minha brisa e perfumar minhas rimas com o teu cheiro.

Hoje eu preciso ser tua princesa.
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Pâmela Melo

terça-feira, 3 de junho de 2008

Covardia

foto: Paulo Pereira

Hoje eu quero tocar na ferida nua, preciso tatear os vãos dos sentidos e fazer chorar a mansidão do teu signo. Se há fronteiras entre as tuas estrelas e meus pergaminhos eu já não sei, aliás, eu cansei de saber, não me importam as horas, as tabuadas, os acentos, as crises, as notícias. Eu só quero agora, crua e cigana, a rosa entre os dedos, quero vê-la sangrar em pétalas de sensações e labaredas.
Preciso com urgência que você roce em meu seio, que se prenda em minhas pernas. Eu necessito perder o fôlego para poder respirar, sentir teu peito ofegante, gemendo de explosões.
Eu quero ser deflorada ferozmente. Abundância de dedos alheios que me façam sentir cada nudez de meus poros, e que depois, naveguem nas águas quentes do meu riacho. Tenho que alimentar as línguas, banhá-las do mais puro mel que brota em mim.
Quanto apetite rasgado na minha saia rodada!
E eu me perco nessa fartura de desejos que assombram a minha racionalidade tão pueril. A falta de coragem do mundo de comungar no nu do meu umbigo soa como um estúpido eco que se repete a cada gota do meu suor quando se depara com o chão dessa realidade tão morna.
Há um desamparo das minhas emoções, e eu estou me fatigando dessa ciranda sem roda, já tateio meu cio na angústia da espera da coragem alheia (ou talvez a minha própria). Ousadia e saliva: eis a minha gula.

Eu só quero um bocado do teu doce!

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Pâmela Melo



Obs.: Eu sei que preciso ser mais corajosa para poder implicar com a covardia do mundo...




Notas passadas